Património Religioso

Imprimir

A religião é ‘o maior brazão da Serra’ no dizer de M. Fonseca da Gama (M. F. Gama, 1940). ‘Estes homens todos acreditam vagamente que a vida vai para além da morte. Mas a sua religião tem foros de panteísmo, preenche de espíritos as encruzilhadas e fojos, levanta alminhas, vai em procissão aos cruzeiros, reza junto de penedos’. (Beira Alta. XLIV, 3, 1985)

Ermidas, capelas e igrejas, obradas nos Tempos Modernos ou Contemporâneos, encerram sumptuoso labor artístico. Raiam de esplendor e minúcia de filigrana a talha joanina da Igreja Matriz de Vila Nova de Paiva, ‘carregada de figuras de anjo que sobem e descem nas colunas da arquitectura central definidora do camarim amplo e profundo com sobre--céu hemisférico repetido em gomos que abriga o místico Cordeiro deitado sobre o livro dos sete selos, aquém de uma estrela de braços de luz.’ (A. Correia, 2003). Ao correr do tecto da capela-mor o mérito entalhador emparelha com o génio pictórico dos 49 caixotões que ilustram a árvore genealógica de Jesus segundo o Evangelho de S. Mateus.

Ainda ali está patente uma mostra de arte sacra, como aliás em Queiriga, com alfaias litúrgicas que remontam à pré-nacionalidade. Cruzes arcaicas ou processionais da Alta Idade Média ou góticas e renascentistas, como igualmente se guardam em Vila Cova-à-Coelheira, Fráguas e Alhais. A desta última paróquia ia realçar ‘as maiores e mais solenes procissões de Lamego e Viseu.’ (M. F. Gama, 1940)

Pequenos monumentos de piedade religiosa, iconologia primeva do destino espiritual do homem, os cruzeiros surgem dispersos em caminhos e adros, pontos de passagem dos cortejos, e apresentam, alguns, interesse artístico. Alternam na paisagem sacralizada esses padrões de culto aos defuntos – as alminhas –, que amiúde ostentam painéis de almas no Purgatório. (J. R. Sousa, 1999) ‘Ficam à beira dos caminhos antigos quase sempre. Muitas vezes nas encruzilhadas, ajudando o viajante a desfazer supersticiosos terrores. Seguem o viajante, mercador ou romeiro. Param com ele na lomba de uma planície, olhando a paisagem, acertando-lhe o rumo, esperando que descanse.’ (A. Correia, 1995) Indicam enfim ‘os caminhos vicinais que conduzem aos grandes Santuários e a suas velhas Romarias.’


:: Igreja Alhais

Igreja Matriz
Sobre o povoado ergue-se a alta e sumptuosa torre da Igreja Matriz imposta às ordens de um arquitecto francês de nome Granjou aquando das profundas reformas que o edifício sofreu nos primeiros anos do século XX. Do precioso recheio da igreja salvou-se o altar da sacristia, que é pura Renascença, e onde figurava Nossa Senhora da Corredoura – orago da freguesia.
No interior resta talha renascentista no altar e o pé da pia onde foi baptizado Aquilino Ribeiro, para grande orgulho da terra.


Capelas
 Há na freguesia duas boas  e espaçosas capelas: uma na povoação de Alhais de Baixo, que serviu de paroquial durante a restauração da igreja, da invocação de Santo António, a quem se faz a principal festa. A outra na povoação de Alhais de Cima, moderna e elegante, onde há um bom altar do século XVIII. Foi edificada a sudeste do lugar, para substituir a antiga que ficava ao centro da povoação. É dedicada a Nossa Senhora da Graça.


:: Igreja Fráguas

  Igreja Matriz
Na área mais antiga da aldeia e, de frente para o vale, ergue-se a Igreja Matriz. Sofreu sucessivas remodelações ao longo dos tempos que desvirtuaram o estilo românico em que terá sido construída. Do lado sul, junto à capela-mor encontra-se uma saliência com aparência de capela que ainda mantém pedras sigladas da antiga construção que dataria do século XIII. O edifício tem marcada a data de 1739, ano da sua restauração, conservando-se as colunas salomónicas, de parras e cachos de uva.
 Os altares laterais são dedicados a Santo António e a Nossa Senhora das Dores e os parietais, a S. Pedro e a Nossa Senhora de Fátima.

Capelas
Locais de culto na freguesia são as Capelas de Santa Bárbara, da Senhora da Consolação, da Senhora da Penha e do Santo António ambas do século XX

:: Igreja Pendilhe

   Igreja Matriz
A actual Igreja Matriz terá derivado de uma igreja antiga do século XI ou XII, um edifício românico de pequenas dimensões e que, pelas inquirições do século XIII, sabemos ser da invocação de Santa Maria, orago que atesta a sua antiguidade. Em 1587 foi mandada remodelar e ampliar e posteriormente, em 1734 foram mandadas efectuar nova obras.

Capelas
De construção mais antiga que a Igreja Matriz actual é a Capela de Santa Isabel, no centro da povoação. É de traçado simples e data do século XVII segundo a inscrição na fachada (1607). Pertenceu à Casa da Courinha, da vizinha freguesia de Mões (Castro Daire), e foi vendida à Junta de Freguesia de Pendilhe pelo preço de trinta mil reis, moeda sonante, como consta do documento de venda, datado de 13 de Junho de 1877.
  Fora da povoação, a 5 Km de distância, em plena Serra da Nave, no monte denominado Cascalheira, ergue-se a Capela da Senhora da Piedade que foi construída para cumprimento de um voto e é obra relativamente moderna.

:: Igreja Queiriga

  Igreja Matriz
A actual Igreja Matriz é de construção simples e foi edificada entre 1953 e 1965. Possui bons paramentos entre os quais uma rica custódia de prata e uma cruz do mesmo metal. A paróquia dispõe de um museu com espólio das minas e arte sacra.
 Salienta-se ainda uma igreja barroca do século XVIII com três altares em talha da renascença. 

Capelas
Do século XVIII serão também as Capelas de Santo António, já referida em documentação de 1755, e a de São Pedro em Lousadela, em cujo campanário se encontra inscrita a data de 1732. Existem ainda as Capelas de Santa Bárbara e a de Santa Eufémia, anexa à casa da família Carrilho, que datará do século XV

:: Igreja Touro

Igreja Matriz
Atravessando o rio, surge a Igreja Matriz, um edifício imponente de uma só nave, amplo e com um espaçoso adro. A sua construção foi iniciada no ano de 1951 e concluída no ano de 1957.

Capelas
Quem sai de Vila Nova de Paiva em direcção a Touro encontra poucos depois o Senhor da Boa Sorte. É uma capela simples, de arquitectura moderna, mandada construir no início do século XX por um devoto. Do outro lado da estrada, ao cimo de uma escadaria, ergue-se uma cruz de grandes dimensões. O local torna-se interessante porque em redor da capela e no meio de uma arborizada paisagem se encontram outras cruzes menores, assentes em blocos graníticos que formam uma via sacra. No local há também mesas e bancos em pedra que convidam a uma refeição no campo.

Depois da Capela do Senhor da Boa Sorte e continuando o caminho para o Touro, encontramos assinalada uma necrópole medieval. Trata-se de S. Martinho de Almonexe. É uma ermida de traçado simples que data do período pré-nacional – possivelmente da época sueva – à volta da qual se encontrou um conjunto de sarcófagos monolíticos e antropomórficos em granito. A ermida foi recentemente tirada da ruína em que se encontrava, mas a remodelação introduziu-lhe, infelizmente, algumas alterações ao traçado original. Se olharmos atentamente em volta ainda encontramos vestígios de um antigo carvalho que aí existia, resto do que, segundo o povo, teria sido um antigo bosque sagrado dos romanos dedicado a Hércules.

Já dentro da povoação, há uma capela dedicada a S. Francisco Xavier – de aspecto singelo e interior muito simples, é curiosa por uma inscrição de difícil leitura que tem numa das pedras da fachada e que alude ao grande Apóstolo das Índias, ao serviço de Portugal.

Num pequeno monte, ainda perto da povoação, ergue-se a capela de Santa Bárbara. Em meados do século XX  foi ampliada e restaurada e ao lado de Santa Bárbara e S. Macário foi colocado um Santo Antão, protector dos animais. À capela levavam-se os animais, no dia da festa deste santo (20 de Janeiro)  para serem benzidos.    

Também ligada a um costume antigo está a capela de Santa Ana, já a caminho para a Cerdeira. Aí se lembram os mais velhos de se fazer a “festa das papas” (feitas de rolão de milho) que eram benzidas e aí comidas.   

:: Igreja Vila Cova à Coelheira

 Igreja Matriz
A Igreja Matriz, tendo por orago S. João Baptista, é uma construção do século XVIII. Possui 6 altares e 4 colunas salomónicas do período da Renascença.  Recentemente encontrou-se no adro da Igreja um conjunto de sepulcros talhados em granito do século X-XII, o que aponta para a existência de um antigo templo no local.
 A paróquia possui uma cruz processional de estilo renascentista onde figuram um Cristo sofredor, um querubim e uma imagem de mulher no anverso e a de Nossa Senhora no reverso

Capelas
Em zona elevada da povoação ergue-se o Senhor do Calvário – antigamente conhecido por Nosso Senhor dos Passos – e encontra-se rodeado de dois coretos e um amplo largo onde se realiza a festa em sua honra.
 Existem também capelas de devoção a Santo António e S. João. Na Carvalha celebra-se a Senhora da Paz e nas Meieiras, a Senhora da Aflição.

:: Igreja Vila Nova de Paiva

  Igreja Matriz
A Igreja Matriz erguida num ponto um pouco elevado em relação à rua principal e na qual se integrou uma secção museológica que reúne um importante espólio de arte sacra dos séculos XI a XX, é digna de uma visita demorada.
 Segundo Alberto Correia será construção dos começos do século XVII. Dentro do edifício restam vestígios de um templo românico que poderá ter existido nesse local ou noutro e do qual se aproveitaram alguns elementos: as colunas que sustentam o coro e a pia baptismal. A contrastar com a singeleza destes elementos, o interior da capela-mor impressiona pelo esplendor da talha dourada de tipo barroco no minuciosamente trabalhado altar-mor e pelos rebuscados tectos que a cobrem. Quarenta e nove quadros de rico trabalhado ilustram no tecto da capela-mor a árvore genealógica de Jesus segundo o Evangelho S. Mateus.
 Entre o espólio da paróquia destaca-se uma Cruz Processional dos fins do século XI. É uma valiosa peça de arte de cobre dourado gravado a buril que reúne características do estilo bizantino, da tradição moçarabe e do românico -e na qual está inscrito JHS NAZARENUS REX JUDEORUM.

Capelas
 Na parte mais antiga da vila e por entre o casario de aspecto rústico, sobressaem duas singelas capelas brancas: uma de invocação a Santo António, um pequeno nicho de feições simples e a outra a S. Francisco, espaçosa e mais alta que a igreja, é actualmente utilizada como capela funerária e cujo campanário serve de torre do relógio.