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 :: Artes e Tradições 

Na tradição artesanal destacou-se a confecção caseira em linho, perdida para a indústria do algodão. O pisão de Fráguas melhorava o acabamento do burel tecido em casa. Fazem-se ainda trabalhos de azulejaria, cerâmica, restauro e ferro forjado (V. N. de Paiva), cestaria e tamancaria (Pendilhe, Alhais, V. N. de Paiva e Queiriga), mantas de lã (V. N. de Paiva e Pendilhe), vestuário de burel e meias (Pendilhe), miniaturas em madeira de alfaias agrícolas (Vila Cova-à-Coelheira e V. N. de Paiva), cantaria (Alhais e V. N. de Paiva), trabalhos figurativos em granito (Fráguas).
 

:: Artesãos 

 Capuchas de Burel

 1 Celisa Silva Oliveira Coelho nasceu em 1952, em Pendilhe. Devido aos Invernos rigorosos que se faziam sentir pelas Terras do Demo, o burel constituía um dos principais materiais para a confecção de vestuário. Há mais ou menos vinte anos, a D. Celisa retomou a confecção, sobretudo de capuchas, capas, gorros em burel, utilizados em exposições, venda de artesanato ou feitos por encomenda.

 

Cestas

2 Manuel da Costa nasceu em 1926 na Freguesia de Queiriga mas reside actualmente em Vila d’um Santo.
A sua actual condição de reformado despoletou o gosto pela confecção de cestas em castanho, em vários formatos e tamanhos, que executa desde há três anos.
O material utilizado requer certos cuidados, especialmente a desfiar e manejar a madeira, por isso constitui um processo um pouco lento.

 

Cestas em vime

3 António Inácio nasceu na freguesia de Pendilhe, em 1932. As cestas em vime, arte que aprendeu e pratica desde os seus 23 anos de idade, constituía um meio de subsistência juntamente com a agricultura. Actualmente funciona apenas como uma actividade praticada nos tempos livres ou mediante encomenda dado que o material utilizado - o vime - requer múltiplos tratamentos até que esteja pronto para ser trabalhado.

 

Escultura em granito

4 José Manuel Pais Rodrigues nasceu em Fráguas, no concelho de Vila Nova de Paiva, em 1970.
Trabalha o granito e o mármore há mais ou menos 10 anos. As suas esculturas, segundo o próprio afirma, são produto do seu estado de espírito e sentimentos. Os seus trabalhos são variados e recriam animais, silhuetas humanas, corpos nus à semelhança da antiga arte grega, bustos, emblemas, entre outros. As suas obras estão espalhadas um pouco por todo o concelho, em associações, instituições, unidades hoteleiras e em residências particulares.
Actualmente, este artesão encontra-se a trabalhar um bloco granítico que resultará numa escultura que poderá ser admirada na primeira rotunda no sentido Viseu - Vila Nova de Paiva.

 

Escultura em granito e madeira

5 Orlando Pereira Gomes, nasceu em Fráguas, concelho de Vila Nova de Paiva, no ano de 1961. É professor do 2º ciclo do ensino básico, variante de Educação Visual e Tecnológica, licenciado pelo Instituto Piaget de Viseu.
Adoptou o nome artístico de “Gomes Pereira”, tendo já algumas obras distribuídas. Teve alguns convites para expor, contudo, expôs pela primeira vez em 2005, na sede da Associação Social, Cultural, Recreativa e Desportiva de Fráguas.
Os materiais que utiliza são dos mais variados desde as madeiras, o ferro, o granito e os seixos do rio, os quais conjuga para criar formas harmoniosas com grande sentido artístico.

 

Escultura em madeira

 6 Alcíades Afonso Figueiredo nasceu em Alhais, concelho de Vila Nova de Paiva, no dia 26 de Maio, no ano de 1938.
Já teve alguns convites para expor tem vendido as suas peças para colecções privadas de familiares e amigos. 
Compõe peças de santos (as), bonecos e seres, há mais de quinze anos, em harmoniosas imitações/reproduções de matérias, quer reais, quer abstractas, inspiradas nos gestos do seu quotidiano rural e natural.
Na verdade, realiza peças de acordo com o seu estado de espírito, criando obras singulares não só na Arte Sacra, mas também na Arte Profana e Abstracta. 
Os seus materiais de elite são diversificados desde a madeira de Castanho envelhecido, o Amieiro e o Pinho, os quais associa para criar formas harmoniosas e grandemente marcadas pela ruralidade.

 

Ferro forjado

 7 João Trindade Coelho nasceu no ano de 1928, em Vila Nova de Paiva.Trabalha o ferro forjado desde os seus 12 anos de idade. Fez uma paragem para ir à tropa e retomou a actividade por volta da década de 80. Da sua colecção fazem parte essencialmente peças decorativas como castiçais, camélias, candeeiros, suportes, etc.
Digno artista do ferro forjado, o mestre João Coelho restaurou o relógio da Capela de S. Francisco, peça do século XVIII.

 

Meias de lã

 8 Conceição Pereira Batista é natural de Pendilhe e nasceu no ano de 1932.
Antigamente, o ensinamento de certas actividades passava de mães para filhas. As meias de lã pura de ovelha são um exemplo disso. Esta actividade é praticada pela D. Conceição desde os seus 10 anos de idade até aos dias de hoje. A única diferença, actualmente, reside na dificuldade de conseguir lã virgem recorrendo, assim, à industrial.

 

Peças em miniatura 

 10 Alberto Cruz nasceu em 1944 e é natural da freguesia de Touro.
Comerciante de profissão, começou há um ano e meio a dedicar-se à construção de réplicas em miniatura quer de edifícios, quer de objectos antigos utilizados na lavoura e nas tarefas caseiras.Da sua lista de obras executadas enumera-se as réplicas da Câmara Municipal, da Igreja Matriz e da Escola Primária de Touro, da Capela do Senhor da Boa Sorte, de objectos como dobadouras, carros de bois, canastros, utensílios da lavoura, entre outros. 
Os seus materiais de eleição são as madeiras (castanho, carvalho, mogno, cerejeira), a palhinha e o ferro.

 

Peças em miniatura 

 11 Dinis Bastos nasceu em 1948 no lugar de Pedaçães, freguesia  de Lamas do Vouga, em Águeda e reside actualmente em Queiriga, no concelho de Vila Nova de Paiva.
Comerciante de profissão, começou há mais ou menos cinco anos a  dedicar-se à construção de réplicas em miniatura de objectos antigos utilizados na lavoura e nas tarefas caseiras.
Dos seus objectos já efectuados enumeram-se réplicas em miniatura de canastros, caniças, eiras, carros de vacas, arados, entre outros. 
Os materiais que mais utiliza são as madeiras (castanho, pinho), plásticos e ferro.



Rendas

 12 Maria da Conceição nasceu em 1950 e vive em Alhais.
Trabalha nesta arte desde os nove anos de idade, quando começou a aprender com a ajuda das vizinhas. Desde então nunca mais parou e os seus trabalhos são muito procurados pela sua beleza e originalidade.
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Etnografia

:: Cultura agrária 

'Na serra tudo tem uma medida cósmica que não assusta o serrano, pois com ela se habituou a conviver. Era assim então, como já fora no tempo dos antepassados de há milhares de anos. No amanho da terra, no domínio da arte venatória, na forma como rega a belga, na aceitação da vivência comunitária, até no vestuário, os costumes do serrano mantinham-se quase inalteráveis.' (H. Almeida, 2003)

'Na madrugada há carros de bois, arados pousados sobre jugos, homens de sachola ao ombro, mulheres de capucha com uma corda para o mato, maçadoiros com linho, pastores ganhando o monte com o rebanho.' (Beira Alta. XLIV, 1985). 

Os socos calcam as lamas tapando as luras que a toupeira abriu, e a tamanca há-de tocar na calçada. 
'Os homens que conduzem as vacas aos pastos ou ao trabalho dos campos não o fariam de uma forma mais delicada se conduzissem pessoas pela mão.' (I. N. Pignatelli, 1998)

A ceifa, dita segada, começou ordinariamente entre o S. João e o S. Pedro, estendendo-se até ao meado de Julho. A debulha aqui se chama malhada, e demora até Agosto. 'Há malhadas de ajuste e malhadas por conta do lavrador. Estas, as mais comuns, são feitas quase sem salário. Vai-se à malhada do vizinho para que ele venha à nossa. (M. F. Gama, 1940) Assentam-se os dias como quem conta a vez no forno, no moinho e no eirado. Onde a natureza bravia quer dura a economia da sobrevivência ripostam as solidariedades vicinais por expedientes de peculiar comunitarismo. 

'Campos de pão e de esperança a amarelecer desde Maio, batatais em regada fresca, o feno cortado nos lameiros onde as vacas fazem tilintar os chocalhos, nabais resistindo ao codo, um castanheiro bravo, poucas nozes, cerejas e não há mais mimos para este serrano de aspecto rude e alma de criança' (Beira Alta. XLIV, 1985).

Mantidos para guardar o cereal excedente, os espigueiros, ou canastros, pontuam de forma característica a paisagem humanizada do Alto Paiva. Encontramo-los dispersos, mas em Pendilhe e Fráguas a sua presença acentua-se. Aqui, em relevos superiores propícios à exposição do sol, dezenas de espigueiros, e armazéns de feno - os palheiros -, 'põem ao sol o ventre amarelo da terra, o centeio e o milho. É um lugar de pão contido entre paredes de materiais nobres, a pedra e a madeira. Das portas mais francas dos armazéns com fechaduras de cravelhas às portas mais estreitas dos espigueiros, e as eiras das malhas. A fartura ali guarda-se no alto' (I. N. Pignatelli, 1998).

Nas eiras comunais, e ao redor daquelas construções talhadas pelo homem do campo, amontam as louras medas de feno que servem para apascentar o gado durante os rigores da inverneira. Enfaixadas no topo à maneira de rolhas, recebem o apodo de rolheiros.

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:: Pelourinhos

Símbolo das velhas liberdades concelhias, da prerrogativa de justiça própria e da fuga às exacções senhoriais, ao mesmo tempo desdenhado espaço de inflicção pública das penas devidas por crime, não distantes das forcas e cadeias que só a toponímia lembra, os pelourinhos municipais são de Interesse Público, com raízes no século X

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Pelourinho de Alhais

O pelourinho é um curioso monumento do século XVI a que faltam os tradicionais degraus e que, em substituição, assenta num enorme bloco de granito. É interessante notar-se que houve o cuidado de apontar cada uma das faces do prisma que o remata para um dos pontos cardeais. Foi considerado Imóvel de Interesse Público em 1933.

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Pelourinho de Fráguas

O pelourinho assenta em cima de um usual pedestal de degraus. Expressivo é o remate de forma quadrangular onde cada canto corresponde a um dos pontos cardeais. Em cada face e em cada ângulo esculpiu-se uma grosseira e saliente figura antropomórfica de olhos fechados, num total de oito que têm o nome de mascarões. Estas figuras representavam os réus condenados à pena capital. Deve datar-se do século XVI e foi considerado Imóvel de Interesse Público em 1933.

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Pelourinho de Pendilhe

Rodeado por casa de acentuado carácter rústico, o pelourinho do século XVI, é um monumento simples sem grandes aparatos artísticos. Está assente em três degraus lisos e tem remate de forma cúbica, sem capitel, e com as quinas ligeiramente elevadas.

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Pelourinho de Vila Cova à Coelheira

É um esbelto monumento finamente talhado, que em 1933 foi considerado Imóvel de Interesse Público. O que o torna especialmente artístico é o seu muito trabalho remate, onde se esculpiram mascarões, aos quais vulgarmente se atribui o sentido de mostrar a condenação dos réus às justiças concelhias.


:: Engenhos e travessias 

Junto a açudes e levadas do Paiva e Côvo pontificam moinhos e pisões. As correntes emprestavam a força para mover o pisão de Fráguas a apertar o burel – que se veste na Nave e terras altas do Paiva e Vouga –, e as mós da farinação de Vila Cova-à-Coelheira, Fráguas e Vila Nova de Paiva. Como fosse o rio mais caudaloso, as povoações do vale do Távora costumavam, no Verão e Outono, vir moer ao Paiva. Agora parados, se não para lições de etnologia, os engenhos ‘parecem esperar o moleiro que, outrora, à cabeça ou no burrico, trazia o milho, o centeio e... as novidades das suas viagens.’ (P. Monteiro, 2001)

Entre margens, as alpondras estendem passagens a pé enxuto que tanto despertam a curiosidade ao incauto forasteiro como, acto contínuo, a irreverência dos mais novos, assim à maneira de ritos de transição, e de retorno. Outras travessias, como a Ponte das Tábuas, que é de pedra, erguida em Alhais sob um pego escuro e largo ‘sem fundo’, associam a crendice popular. ‘Deve ser ali a residência dos pais da família-truta’. (M. F. Gama, 1940) É a jusante desse lugar, na Levada da Azenha, que se realiza a largada de trutas para os concursos de pesca.

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:: Habitações de ontem e de hoje 

 ‘O aglomerado rural típico constitui testemunho expressivo da relação do homem com o meio. Deambular pelas ruas empedradas e estreitas da Póvoa (Touro), ladeadas por edificações em granito, proporciona uma experiência subtraída da lufa-lufa hodierna, qual comunhão harmoniosa com a Mãe-Natureza. ‘Assim, por obra do acaso, quase espontaneamente em vez de presidir à sua fundação uma vontade inteligente e discriminativa. O acaso e insciência das coisas foram os seus arquitectos.’ (A. Ribeiro, 1963)

As construções rústicas, especialmente em Pendilhe e Póvoa (Touro), elevam da ‘pedra sobreposta, quase que sem argamassa, blocos maiores aparelhados para enquadrar janelas 
e portas, fraguedo mais miúdo e menos talhado, habilmente associado para construir os painéis das paredes. A passagem do tempo tornou a cor do granito mais escura. Apresentam-se ‘sem frestas, sem chaminé, com portal baixo, piso térreo, colmadas umas, cobertas outras a telha moirisca’, às vezes com beiradas de lousa.

‘As janelas têm portadas de madeira, e chapeiam-nas muitas vezes com zinco.
Há montes de lenha rachada e empilhada, a secar melhor para aquecer as lareiras.
As habitações têm em geral dois pisos, o de cima para as gentes, o de baixo para as lojas e para o gado, adaptadas à actividade lavradora dos seus donos.

Têm escadas de laje, cozinhas afundadas embora de pouca altura, onde à noite as pessoas se juntam ao serão aproveitando o calor conservado pela diferença de altura entre o sitio onde fica a lareira de pedra e o sítio onde se sentam, enquanto aquecem os po-tes de caldo e da comida das gentes e dos animais.’ (I. N. Pignatelli, 1998)

O lar, ou lareira, representava o coração da casa serrana. ‘Compunha-se de uma grande lancha, tantas vezes a cobertura de um dólmen, e sobre ela assentava num dos extremos o pequeno absidíolo, que é a pilheira, em que se recolhem as cinzas e contra o qual arde o cepo’ (A. Ribeiro, 1963). O fumo vadiava pelo interior, repulsado pelo caniço, sobrecéu de ripas em que as castanhas secavam e pilavam e o enchido do porco, distribuído em salpicões, chouriços, moiros, morcelas, se tornava o fumeiro lambe-lhe-os-beiços, de sabor imortal’ (I. N. Pignatelli, 1998).

A essas construções toscas opõem-se aquelas com elementos típicos de arquitectura solarenga beirã – janelas e portais manuelinos, escadarias ladeadas por corrimões e alpendres sustentados em pilastras –, indicadores da presença de fidalguia à vista em Queiriga (família Carrilho) e Vila Cova-à-Coelheira (Ordem de Malta). Aqui assentaram Hospitalários. 

Não longe dita sinagoga recorda a permanência de uma comunidade judaica. 

Na velha Barrelas, à ilharga dos Paços do Concelho, impõe-se a Casa do Brasileiro. 

A história recente do Concelho é inseparável da emigração, pelo complexo cultural que envolve como pela intensidade demográfica do fenómeno. O primeiro destino foi o Brasil, alinhando muitos vilacovenses, na sequência da depressão económica de 1890, à procura de vida melhor e fuga ao serviço militar na I Guerra Mundial. (J. O. Pinto, 2004)

As décadas de ‘50 e ‘60 motivarão novo surto com destino privilegiado a França – sobretudo entre habitantes de Queiriga – aldeia que recebeu o epíteto de mais francesa de Portugal. Se bem que o emprego ali da ardósia local originalmente diferenciasse a aparência das construções tradicionais, são particularmente sensíveis as repercussões da emigração. Como noutras paragens, é comum ver-se entre as habitações vernáculas casas erguidas com vaidade pontuando a paisagem urbana de vilas e aldeias com uma arquitectura forte e equilibrada, uma marca de prestígio, aposta com força singular que fez das mesmas monumento-exemplo e lição sobre uma geração de heróis de quem um povo quase inteiro podia guardar histórias...’ (Beira Alta. XLIV, 1985).

Ainda hoje os períodos de férias fervilham com o regresso dos conterrâneos na diáspora, e o desenvolvimento local transporta notoriamente o seu cunho.

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A religião é ‘o maior brazão da Serra’ no dizer de M. Fonseca da Gama (M. F. Gama, 1940). ‘Estes homens todos acreditam vagamente que a vida vai para além da morte. Mas a sua religião tem foros de panteísmo, preenche de espíritos as encruzilhadas e fojos, levanta alminhas, vai em procissão aos cruzeiros, reza junto de penedos’. (Beira Alta. XLIV, 3, 1985)

Ermidas, capelas e igrejas, obradas nos Tempos Modernos ou Contemporâneos, encerram sumptuoso labor artístico. Raiam de esplendor e minúcia de filigrana a talha joanina da Igreja Matriz de Vila Nova de Paiva, ‘carregada de figuras de anjo que sobem e descem nas colunas da arquitectura central definidora do camarim amplo e profundo com sobre--céu hemisférico repetido em gomos que abriga o místico Cordeiro deitado sobre o livro dos sete selos, aquém de uma estrela de braços de luz.’ (A. Correia, 2003). Ao correr do tecto da capela-mor o mérito entalhador emparelha com o génio pictórico dos 49 caixotões que ilustram a árvore genealógica de Jesus segundo o Evangelho de S. Mateus.

Ainda ali está patente uma mostra de arte sacra, como aliás em Queiriga, com alfaias litúrgicas que remontam à pré-nacionalidade. Cruzes arcaicas ou processionais da Alta Idade Média ou góticas e renascentistas, como igualmente se guardam em Vila Cova-à-Coelheira, Fráguas e Alhais. A desta última paróquia ia realçar ‘as maiores e mais solenes procissões de Lamego e Viseu.’ (M. F. Gama, 1940)

Pequenos monumentos de piedade religiosa, iconologia primeva do destino espiritual do homem, os cruzeiros surgem dispersos em caminhos e adros, pontos de passagem dos cortejos, e apresentam, alguns, interesse artístico. Alternam na paisagem sacralizada esses padrões de culto aos defuntos – as alminhas –, que amiúde ostentam painéis de almas no Purgatório. (J. R. Sousa, 1999) ‘Ficam à beira dos caminhos antigos quase sempre. Muitas vezes nas encruzilhadas, ajudando o viajante a desfazer supersticiosos terrores. Seguem o viajante, mercador ou romeiro. Param com ele na lomba de uma planície, olhando a paisagem, acertando-lhe o rumo, esperando que descanse.’ (A. Correia, 1995) Indicam enfim ‘os caminhos vicinais que conduzem aos grandes Santuários e a suas velhas Romarias.’


:: Igreja Alhais

Igreja Matriz
Sobre o povoado ergue-se a alta e sumptuosa torre da Igreja Matriz imposta às ordens de um arquitecto francês de nome Granjou aquando das profundas reformas que o edifício sofreu nos primeiros anos do século XX. Do precioso recheio da igreja salvou-se o altar da sacristia, que é pura Renascença, e onde figurava Nossa Senhora da Corredoura – orago da freguesia.
No interior resta talha renascentista no altar e o pé da pia onde foi baptizado Aquilino Ribeiro, para grande orgulho da terra.


Capelas
 Há na freguesia duas boas  e espaçosas capelas: uma na povoação de Alhais de Baixo, que serviu de paroquial durante a restauração da igreja, da invocação de Santo António, a quem se faz a principal festa. A outra na povoação de Alhais de Cima, moderna e elegante, onde há um bom altar do século XVIII. Foi edificada a sudeste do lugar, para substituir a antiga que ficava ao centro da povoação. É dedicada a Nossa Senhora da Graça.


:: Igreja Fráguas

  Igreja Matriz
Na área mais antiga da aldeia e, de frente para o vale, ergue-se a Igreja Matriz. Sofreu sucessivas remodelações ao longo dos tempos que desvirtuaram o estilo românico em que terá sido construída. Do lado sul, junto à capela-mor encontra-se uma saliência com aparência de capela que ainda mantém pedras sigladas da antiga construção que dataria do século XIII. O edifício tem marcada a data de 1739, ano da sua restauração, conservando-se as colunas salomónicas, de parras e cachos de uva.
 Os altares laterais são dedicados a Santo António e a Nossa Senhora das Dores e os parietais, a S. Pedro e a Nossa Senhora de Fátima.

Capelas
Locais de culto na freguesia são as Capelas de Santa Bárbara, da Senhora da Consolação, da Senhora da Penha e do Santo António ambas do século XX

:: Igreja Pendilhe

   Igreja Matriz
A actual Igreja Matriz terá derivado de uma igreja antiga do século XI ou XII, um edifício românico de pequenas dimensões e que, pelas inquirições do século XIII, sabemos ser da invocação de Santa Maria, orago que atesta a sua antiguidade. Em 1587 foi mandada remodelar e ampliar e posteriormente, em 1734 foram mandadas efectuar nova obras.

Capelas
De construção mais antiga que a Igreja Matriz actual é a Capela de Santa Isabel, no centro da povoação. É de traçado simples e data do século XVII segundo a inscrição na fachada (1607). Pertenceu à Casa da Courinha, da vizinha freguesia de Mões (Castro Daire), e foi vendida à Junta de Freguesia de Pendilhe pelo preço de trinta mil reis, moeda sonante, como consta do documento de venda, datado de 13 de Junho de 1877.
  Fora da povoação, a 5 Km de distância, em plena Serra da Nave, no monte denominado Cascalheira, ergue-se a Capela da Senhora da Piedade que foi construída para cumprimento de um voto e é obra relativamente moderna.

:: Igreja Queiriga

  Igreja Matriz
A actual Igreja Matriz é de construção simples e foi edificada entre 1953 e 1965. Possui bons paramentos entre os quais uma rica custódia de prata e uma cruz do mesmo metal. A paróquia dispõe de um museu com espólio das minas e arte sacra.
 Salienta-se ainda uma igreja barroca do século XVIII com três altares em talha da renascença. 

Capelas
Do século XVIII serão também as Capelas de Santo António, já referida em documentação de 1755, e a de São Pedro em Lousadela, em cujo campanário se encontra inscrita a data de 1732. Existem ainda as Capelas de Santa Bárbara e a de Santa Eufémia, anexa à casa da família Carrilho, que datará do século XV

:: Igreja Touro

Igreja Matriz
Atravessando o rio, surge a Igreja Matriz, um edifício imponente de uma só nave, amplo e com um espaçoso adro. A sua construção foi iniciada no ano de 1951 e concluída no ano de 1957.

Capelas
Quem sai de Vila Nova de Paiva em direcção a Touro encontra poucos depois o Senhor da Boa Sorte. É uma capela simples, de arquitectura moderna, mandada construir no início do século XX por um devoto. Do outro lado da estrada, ao cimo de uma escadaria, ergue-se uma cruz de grandes dimensões. O local torna-se interessante porque em redor da capela e no meio de uma arborizada paisagem se encontram outras cruzes menores, assentes em blocos graníticos que formam uma via sacra. No local há também mesas e bancos em pedra que convidam a uma refeição no campo.

Depois da Capela do Senhor da Boa Sorte e continuando o caminho para o Touro, encontramos assinalada uma necrópole medieval. Trata-se de S. Martinho de Almonexe. É uma ermida de traçado simples que data do período pré-nacional – possivelmente da época sueva – à volta da qual se encontrou um conjunto de sarcófagos monolíticos e antropomórficos em granito. A ermida foi recentemente tirada da ruína em que se encontrava, mas a remodelação introduziu-lhe, infelizmente, algumas alterações ao traçado original. Se olharmos atentamente em volta ainda encontramos vestígios de um antigo carvalho que aí existia, resto do que, segundo o povo, teria sido um antigo bosque sagrado dos romanos dedicado a Hércules.

Já dentro da povoação, há uma capela dedicada a S. Francisco Xavier – de aspecto singelo e interior muito simples, é curiosa por uma inscrição de difícil leitura que tem numa das pedras da fachada e que alude ao grande Apóstolo das Índias, ao serviço de Portugal.

Num pequeno monte, ainda perto da povoação, ergue-se a capela de Santa Bárbara. Em meados do século XX  foi ampliada e restaurada e ao lado de Santa Bárbara e S. Macário foi colocado um Santo Antão, protector dos animais. À capela levavam-se os animais, no dia da festa deste santo (20 de Janeiro)  para serem benzidos.    

Também ligada a um costume antigo está a capela de Santa Ana, já a caminho para a Cerdeira. Aí se lembram os mais velhos de se fazer a “festa das papas” (feitas de rolão de milho) que eram benzidas e aí comidas.   

:: Igreja Vila Cova à Coelheira

 Igreja Matriz
A Igreja Matriz, tendo por orago S. João Baptista, é uma construção do século XVIII. Possui 6 altares e 4 colunas salomónicas do período da Renascença.  Recentemente encontrou-se no adro da Igreja um conjunto de sepulcros talhados em granito do século X-XII, o que aponta para a existência de um antigo templo no local.
 A paróquia possui uma cruz processional de estilo renascentista onde figuram um Cristo sofredor, um querubim e uma imagem de mulher no anverso e a de Nossa Senhora no reverso

Capelas
Em zona elevada da povoação ergue-se o Senhor do Calvário – antigamente conhecido por Nosso Senhor dos Passos – e encontra-se rodeado de dois coretos e um amplo largo onde se realiza a festa em sua honra.
 Existem também capelas de devoção a Santo António e S. João. Na Carvalha celebra-se a Senhora da Paz e nas Meieiras, a Senhora da Aflição.

:: Igreja Vila Nova de Paiva

  Igreja Matriz
A Igreja Matriz erguida num ponto um pouco elevado em relação à rua principal e na qual se integrou uma secção museológica que reúne um importante espólio de arte sacra dos séculos XI a XX, é digna de uma visita demorada.
 Segundo Alberto Correia será construção dos começos do século XVII. Dentro do edifício restam vestígios de um templo românico que poderá ter existido nesse local ou noutro e do qual se aproveitaram alguns elementos: as colunas que sustentam o coro e a pia baptismal. A contrastar com a singeleza destes elementos, o interior da capela-mor impressiona pelo esplendor da talha dourada de tipo barroco no minuciosamente trabalhado altar-mor e pelos rebuscados tectos que a cobrem. Quarenta e nove quadros de rico trabalhado ilustram no tecto da capela-mor a árvore genealógica de Jesus segundo o Evangelho S. Mateus.
 Entre o espólio da paróquia destaca-se uma Cruz Processional dos fins do século XI. É uma valiosa peça de arte de cobre dourado gravado a buril que reúne características do estilo bizantino, da tradição moçarabe e do românico -e na qual está inscrito JHS NAZARENUS REX JUDEORUM.

Capelas
 Na parte mais antiga da vila e por entre o casario de aspecto rústico, sobressaem duas singelas capelas brancas: uma de invocação a Santo António, um pequeno nicho de feições simples e a outra a S. Francisco, espaçosa e mais alta que a igreja, é actualmente utilizada como capela funerária e cujo campanário serve de torre do relógio.



 

 

 

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Festas, Feiras e Romarias

::Festas

festas2O culto porfiado aproxima os altopaivenses na celebração das festividades do calendário litúrgico, aquelas em honra dos padroeiros, valorizadas com a actuação das bandas de música e ranchos folclóricos, e as romarias do Calvário (Vila Cova-à-Coelheira) e da Boa Sorte (Touro). Continua-se extramuros por esses caminhos de Deus em 'ruidosas romarias, de grinaldas, arcos, fogo e músicas de que eram muito concorridas as da Lapa e dos Remédios. Esta foi sempre de maior atracção, grandioso festival – muito, variado e lindo fogo de artifício, iluminações profusas e deslumbrantes, ornamentação requintada, uma filarmónica em cada canto, uma procissão de triunfo que não havia segunda.' (M. F. Gama, 1940)

O Carnaval é a festa de todas as ludicidades, das expressões miméticas às agonísticas. É nas freguesias de Touro e Pendilhe que a tradição tem escola, podendo-se assistir a useiros desfiles e aos entrudos do Rico-Irmão e do Canto do Galo.

Ver Paiva é a principal festividade de Vila Nova de Paiva e um esteio da actividade cultural organizada pelo Município. Decorre durante uma semana na primeira quinzena de Agosto, centrada no Largo do Ramalhal, o mesmo da Feira de Barrelas. Embora de tradição recente, impôs-se através de uma programação eclética, ao encontro de um público alargado, que vem sendo amplamente participado por visitantes de outros concelhos, e pelo regresso sazonal de emigrados. As actividades principais incluem o cinema e teatro ao ar livre, a canção e o folclore, a animação de rua e desporto, exposições diversas e oficinas de expressão plástica.


::Feiras

feirasÀ sede do Concelho, equidistante das freguesias, converge naturalmente o principal comércio, que é agitado ao sábado pela quinzenal Feira de Barrelas, de origem possivelmente tricentenária. Em 1940 M. Fonseca da Gama descrevia-lhe por estas palavras: 'Na feira de V. N. Paiva se realizam grandes e variadas transacções, as primeiras das quais são os cereais, o gado vacum e suíno, tecidos e artefactos; mas não falta nada. Aqui vem o Douro, o Távora e o Dão pôr as suas frutas; Aguiar os seus queijos; Viseu e Lamego as suas indústrias; Espinho, Aveiro e Matosinhos o seu pescado (a sardinha, em abundância) e o sal; o Vouga as suas madeiras. Ali o homem, como a menina, se pode vestir, calçar e enfeitar.' (M. F. Gama, 1940) O lavrador procurava as empeirarias, ali onde o ferrador mas também capador, barbeiro, charlatão e tira-dentes exerciam seus misteres.

O mercado terá sido criado para acorrer às despesas de culto da Igreja Matriz, junto da qual se realiza. Essa ligação original presidiria, até há pouco tempo, à interrupção solene da actividade durante as doze badaladas do meio-dia: 'todo o povo suspendia a azáfama, se aquietava e permanecia em silêncio para rezar a prece das ave-marias.' (H. Almeida, 2003).

2019 - datas da Feira quinzenal

Janeiro» 11 e 25
Fevereiro» 8 e 22
Março» 7 e 21
Abril» 4 e 18
Maio» 2, 16 e 30
Junho» 13 e 27
Julho» 11 e 25
Agosto» 8 e 22
Setembro» 5 e19
Outubro» 3, 17 e 31
Novembro» 14 e 28
Dezembro» 12 e 26

 
:Romarias

romariasAlhais

Concorridas são as festas populares, sobretudo a da Senhora da Corredoura, padroeira da freguesia a que se junta a festa do imigrante e que se realiza em Agosto. Alhais presta também festa a S. Sebastião em 20 de Janeiro, a Nossa Senhora de Fátima em Maio, a Santo António em Junho e a Nossa Senhora da Graça em 15 de Agosto.

Fráguas

As festas coincidem com o regresso dos imigrantes para férias. A Senhora da Consolação e festejada no segundo Domingo de Agosto e as da juventude no fim de semana seguinte. Na freguesia fazem-se ainda as festas de Santo António em Junho.

Pendilhe

A festa da Senhora da Assunção realiza-se no dia 15 de Agosto e a festa da Senhora da Piedade, no domingo anterior a 15 de Agosto.

Queiriga

Em Queiriga realizam-se as festas de Santa Bárbara no segundo Domingo de Dezembro, as de São Pedro no dia do mesmo e as mais conhecidas, as festas da Senhora da Saúde no terceiro Domingo de Agosto.

Touro

Esta freguesia é conhecida pela festa que realiza anualmente, no primeiro Domingo de Agosto, em honra do Senhor da Boa Sorte e que, por vezes coincide com as Festas da Juventude que decorrem nos dias 7 e 8 de Agosto.

Vila Cova à Coelheira

Esta localidade tem como principal festa religiosa a do Senhor do Calvário, que se realiza no quarto Domingo de Agosto mas decorrem também festividades em honra de Santo António e S. João.

Na Carvalha faz-se festa no primeiro Domingo de Julho em honra da Senhora da Paz. Nas Meieiras realizam-se as festas da Senhora da Aflição no primeiro Domingo de Setembro e na Malhada honra-se o Anjo da Guarda com uma festa que realiza no segundo Domingo de Agosto.

Vila Nova de Paiva

A maior alteração da rotina diária desta gente é em Agosto quando chegam os numerosos emigrantes filhos da terra que enchem a vila de automóveis, provocam a azáfama nos cafés e restaurantes da vila e animam as festas populares.

É na primeira semana de Agosto que se realiza o encontro de artistas "Ver Paiva". Nos dias 12 a 15 do mesmo mês fazem-se as festas de Nossa Senhora de Fátima, cujo último dia coincide com o Festival Nacional de Folclore. Ainda em Agosto realizam-se as Festas do Concelho. Mas o povo aprecia muito as festas tradicionais e mesmo em épocas mais frias as realiza. O padroeiro – S. Sebastião – não é esquecido e faz-se festa em sua honra no dia 20 de Janeiro.

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Auditório Municipal Carlos Paredes

auditorioTeatro, cinema, música, danças e cantares fazem parte da programação regular de Vila Nova de Paiva, no edifício Auditório Municipal Carlos Paredes.

Em cinema satisfazem-se apelos diversos: filmes de estreia, clássicos da filmoteca portuguesa e animação. No Teatro valorizamos repertórios de tradição regional e a ligação estreita à comunidade educativa.

A oferta abrange ainda um ciclo de exposições que acentua a diversidade de linguagens estéticas, sempre a promoção de valores regionais, e agora com propostas extensivas dos espectáculos ou motivos em cartaz. Permanecem duas exposições: o novelo literário de Aquilino Ribeiro sobre as Terras do Demo e uma sinopse de larga sincronia reportada ao Município.

Informações sobre o palco do AMCP

Informações sobre o equipamento do AMCP